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GA50 INTRODUÇÃO

Introdução

Meditação sobre a unidade interna das cinco palavras fundamentais da metafísica de Nietzsche a partir da essência da metafísica em geral

  • O pensamento de Nietzsche pertence à metafísica ocidental desde Platão, entendida como verdade do ente enquanto tal no todo, na qual a verdade desoculta o que o ente é, que ele é e como ele é no todo, assumindo forma histórica conforme o modo de ser do ente e exigindo uma humanidade que a configure, fundamente, comunique e preserve.
  • A essência unitária da metafísica desdobra-se em cinco momentos — a entidade do ente, o todo do ente, a essência da verdade, a história da verdade e a humanidade nela situada —, de modo que a metafísica nunca é primeiramente opinião pessoal, doutrina ou expressão de uma época, mas uma posição fundamental em que a verdade do ente é assumida e preservada no pensamento.
  • A nomeação de uma metafísica pelo nome de um pensador, como em Platão ou Kant, não significa posse subjetiva ou realização cultural individual, mas indica que a verdade do ser se confiou a esse pensador para que o ser do ente fosse dito no interior da metafísica.
  • Com Aurora, em 1881, o caminho metafísico de Nietzsche ganha clareza, pois nesse período se anuncia a intuição do eterno retorno do mesmo, Zaratustra ensina o além-do-homem, o ente é determinado como vontade de poder, a história europeia se revela como niilismo, a transvaloração dos valores torna-se necessária e uma nova justiça passa a justificar a nova legislação dos valores.
  • No auge do pensamento de Nietzsche, a verdade do ente enquanto tal no todo busca tornar-se palavra, e os sucessivos planos e projetos alternam os títulos eterno retorno, vontade de poder e transvaloração de todos os valores, enquanto tudo converge para a educação do homem superior e para os novos verídicos de uma nova verdade.
  • Os planos e esboços de Nietzsche não são sinais de obra incompleta ou de insegurança inicial, mas registros dos caminhos silenciosos e definidos que seu pensamento precisou percorrer no âmbito da verdade do ente enquanto tal.
  • Vontade de poder, niilismo, eterno retorno do mesmo, além-do-homem e justiça são as cinco palavras fundamentais da metafísica de Nietzsche, nas quais se nomeiam respectivamente o ser do ente, a história da verdade desse ente, o modo de ser do ente no todo, a humanidade exigida por esse todo e a essência da verdade do ente como vontade de poder.
  • A interpretação da metafísica de Nietzsche só pode ser pensada a partir da experiência fundamental de Ser e tempo, segundo a qual a tradição ocidental pensou desde o início o ser do ente, mas deixou impensada a verdade do próprio ser, encobrindo como metafísica o acontecimento dessa recusa.
  • A interpretação do pensamento de Nietzsche deve pensá-lo como metafísica a partir dos traços fundamentais da história da metafísica, e por isso se orienta simultaneamente para uma meta próxima e para uma meta extrema reservada ao pensamento.
  • A afirmação nietzschiana de que chegará o tempo em que a luta pelo domínio da terra será conduzida em nome de doutrinas filosóficas fundamentais indica que essas doutrinas possuem uma sequência e uma unidade essencial ainda não pensadas, cuja unidade oculta constitui a estrutura essencial da metafísica de Nietzsche e acompanha a consumação da modernidade.
  • A meta próxima consiste em reconhecer a unidade interna das doutrinas filosóficas fundamentais de Nietzsche, o que exige apresentar cada uma separadamente e compreender o fundamento unificador a partir da essência da metafísica em geral, para que a época possa assumir conscientemente o combate pelo domínio da terra.
  • O combate pelo domínio da terra e a metafísica que o sustenta conduzem à consumação uma era mundial da terra e da humanidade histórica, na qual se realizam as possibilidades extremas de domínio do mundo e da tentativa humana de decidir seu próprio ser a partir de si.
  • A consumação da era da metafísica ocidental prepara ao longe uma posição histórica em que já não estará em jogo a luta pelo domínio do ente, mas uma confrontação de outra essência entre o poder do ente e a verdade do ser.
  • A meta extrema orienta a meta próxima, pois a meditação sobre a unidade interna da metafísica de Nietzsche, enquanto consumação da metafísica ocidental, pertence a uma distância histórica de outra história.
  • O que está mais distante é também mais próximo quando o homem histórico pertence ao ser e à sua verdade, pois o ser não precisa ultrapassar nenhuma proximidade do ente e permanece como o único alvo ainda não instituído do pensamento essencial.
  • Na exposição seguinte, apresentação e interpretação se entrelaçam de tal modo que nem sempre se distingue imediatamente o que provém das palavras de Nietzsche e o que é acrescentado pela interpretação, pois toda interpretação deve extrair a coisa do texto e, discretamente, acrescentar-lhe algo a partir da própria coisa interpretada.
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