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GA28 – §2

Der Deutsche Idealismus

§ 2. O esclarecimento da tendência para a antropologia

a) A antropologia como disciplina

  • A antropologia, entendida como ciência do ser humano, abrange tudo o que pode ser investigado sobre o homem, podendo considerá-lo como uma espécie animal, o que a aproxima da zoologia e da botânica, e dando origem a uma antropologia somática ligada à anatomia e à história do desenvolvimento corporal.
  • A natureza do homem não se esgota na corporalidade: o princípio que organiza um corpo em ser vivo é chamado desde a antiguidade de alma, e assim a antropologia somática aponta para uma biologia, que por sua vez aponta para uma psicologia.
  • A biologia e a psicologia do homem tendem hoje a se unificar em uma única investigação abrangente, impulsionadas não apenas pela intensidade das pesquisas, mas por razões mais essenciais ligadas a um interesse que precede a própria ciência.
  • A antropologia empírica como pesquisa científica é uma ação do próprio homem que toma a si mesmo como objeto, e o homem não pode ser indiferente a si mesmo de modo essencial, pois mesmo quem se negligencia já está assumindo uma posição determinada diante de si.
  • Quando a psicologia investiga vontade, afetos e paixões, trata o homem como um complexo de ocorrências anímicas, descrevendo apenas como a vida anímica acontece, e não o que o homem existente como agente faz, pode fazer e deve fazer de si mesmo.
  • A psicologia, ao abstrair do homem realmente existente para alcançar seus fins científicos, deixa de fora justamente aquilo que confere a ela todo o seu interesse e ao qual ela permanece orientada no fundo.
  • A psicologia se amplia necessariamente para uma caracterologia de indivíduos, grupos e povos, e a fisiognomia e a etnologia buscam não apenas descrever como o homem é, mas como ele age, o que é capaz de fazer e o que empreende.
  • Com essa ampliação, a antropologia deixa de ser mero acúmulo de conhecimentos sobre a natureza humana e passa a constituir um conhecimento do homem que visa orientar o comportamento, o trato com os outros e até indicar o que os homens devem e podem fazer em sua condução de vida.
  • A pesquisa etnológica revelou que cultos e práticas religiosas são determinantes no existir humano, e toda investigação do homem reconheceu que ele é determinado pelo que os contemporâneos chamam de cosmovisão, de modo que a psicologia só se completa em uma psicologia da cosmovisão.
  • A tendência à antropologia viva no presente não significa apenas interesse crescente pela psicologia como ciência, mas que a questão do próprio homem, do que ele é em si mesmo, está viva em sentido genuíno.
  • Embora haja muita curiosidade, moda e sensacionalismo no interesse agitado por caracterologia, grafologia, psicanálise e astrologia, o que se busca no fundo é saber como estão as coisas consigo mesmo, com urgência tanto maior quanto maior a desorientação que se alastra, e o crescente saber antropológico parece por instantes oferecer a resposta.
  • Quem busca a si mesmo não o faz como indivíduo isolado em suas propriedades, mas pergunta o que o homem é em sua relação com o restante, em sua posição diante do todo do ente, o que ele é e deve ser no mundo.

b) A antropologia como uma tendência filosófica fundamental

  • A antropologia já não designa apenas uma disciplina científica, mas uma investigação central e abrangente do ser e do tempo desse ente que nós mesmos somos, e é desse impulso que nasce o esforço crescente pela psicologia e pelo estudo comparativo do homem.
  • O que propriamente caracteriza a tendência à antropologia como tendência filosófica fundamental não é apenas valorizar o homem como objeto privilegiado de conhecimento dentro do todo do ente, mas algo mais decisivo que ainda precisa ser explicitado.
  • A questão do homem e de sua posição no todo da realidade não é apenas uma das questões que domina o acontecer humano atual, mas tornou-se a questão central, de modo que todo perguntar pelo real, seja na história, na arte ou na natureza, passa a ser referido ao homem e à sua relação com essas coisas.
  • Em formulação extrema: o homem contemporâneo já não se interessa pela natureza em si mesma ou pela obra de arte em si, mas pela psicologia e tipologia do próprio conhecimento da natureza e das posições diante da economia.
  • A antropologia não é apenas um conhecimento do homem e de seu lugar no todo, mas pressiona para se tornar o princípio de todo conhecimento, de modo que algo só seria verdadeiramente conhecido quando explicado psicológica ou psicanaliticamente.
  • Tudo o que acontece está de antemão abarcado pelos tentáculos invisíveis da interpretação antropológica: a perspectiva psicológica precede tudo e determina o que nos diz respeito e como; as coisas só têm realidade quando obtidas nesse modo de conhecimento.
  • A tendência à antropologia é, em última instância, a pretensão de decidir o que é real e o que não é, o que significam realidade, ser e verdade, e por isso ninguém pode subtrair-se a esse acontecimento, embora nenhum programa de erudição seja capaz de detê-lo ou superá-lo.
  • Porque essa tendência busca determinar o todo do existir humano em unidade com o todo do ente, ela é denominada tendência filosófica fundamental, sendo não um saber nem uma simples visão prática do homem, mas o modo fundamental de existência em que o existir humano hoje se move.
  • Nenhuma época soube tanto e tão diversamente sobre o homem quanto a atual, nem apresentou esse saber de forma tão intensa e sedutora, nem o transmitiu tão fácil e rapidamente, e nada lhe permanece tão pouco oculto sobre o homem.
  • E contudo nenhuma época soube menos o que o homem é: a agudeza radical dessa condição não está apenas em não ter resposta sobre o que é o homem, mas em não saber sequer como perguntar por ele.
  • Na tendência à antropologia reside uma profunda insegurança que a corrói por dentro: tudo permanece referido ao homem e é ao mesmo tempo um esvaziamento de sua essência, de modo que cada resposta que surge tem razão por um instante e logo cede lugar a outra, num movimento de inquietação que é incapaz de preservar qualquer resposta como essencial.
  • Como a explicação psicológica pretende ser o primeiro e o último critério, toda resposta sobre o ser humano é ela própria reduzida a uma explicação psicológica, derivada de disposições anímicas e impulsos inconscientes, e assim internamente desarmada.
  • Essa tendência fundamental não permite que nada conserve peso próprio, sendo um monstro que se devora a si mesmo: tudo flutua apenas provisoriamente junto a outras coisas numa superfície, e só quando se vê que a tendência, junto com seu poder, constitui ela mesma a desorientação, algo essencial nela é compreendido.
  • Esse acontecimento fundamental não pode ser liquidado por nenhuma crítica cultural nem dissipado por nenhuma filosofia dialética da cultura, pois é algo que a história humana nunca experimentou antes, sendo o próprio e inquietante desta tendência gerar a inquietação que a impede de ter o peso que possui.
  • Essa tendência fundamental determina explicitamente a filosofia contemporânea, impulsionando-a a se ocupar da antropologia e a buscar realizar uma antropologia filosófica.

c) A ideia de uma antropologia filosófica

  • Uma antropologia filosófica não pode ser apenas mais uma disciplina ao lado da lógica, da ética e da estética: como tudo o que é real é referido ao homem, ela teria de reunir em si todos os demais problemas filosóficos, funcionando como disciplina fundamental da filosofia.
  • Disso decorre apenas que a filosofia deve acolher todas as questões essenciais relativas ao homem, mas permanece em aberto se isso basta para trazer a tendência à antropologia a si mesma ou se a antropologia filosófica é apenas um expoente da obscuridade dessa tendência.
  • A ideia de uma antropologia filosófica precisa ser interrogada em sua própria determinação e nos seus limites, antes mesmo de perguntar pelo que ela já alcançou, pois pode revelar uma indeterminação necessária e uma fronteira interna.
  • Antecipar-se dizendo que a antropologia sempre existiu na filosofia não dissolve o problema, pois a pergunta pelo homem na filosofia não é necessariamente apenas antropologia, e o fato de que hoje todos elaboram antropologia antes esvazia o problema de seu essencial do que o resolve.
  • A antropologia filosófica não pode ser a disciplina fundamental da filosofia: não está claramente determinada a partir do conceito de filosofia, nem é capaz de determinar por si mesma os problemas da filosofia que, como disciplina fundamental, deveria abrir.
  • Embora seja produto da tendência filosófica fundamental à antropologia, a antropologia filosófica como resultado isolado não exprime o pleno ser dessa tendência, e o decisivo não é apenas dar-lhe expressão, mas fazer com que ela chegue à sua atuação essencial na própria filosofia.
  • Não basta colocar o homem no centro e fazer tudo passar por ele: ao contrário, o homem deve entrar essencialmente no próprio acontecimento, tornando-se senhor dele, de modo que o acesso ao essencial dessa tendência exige vê-la em conexão com a segunda tendência fundamental, a da metafísica.
  • A tendência à antropologia não visa apenas valorizar o humano, mas reivindica a decisão sobre o que devem significar realidade, ser e verdade, o que implica querer decidir já a questão fundamental da metafísica, e a segunda tendência, a metafísica, manifesta-se hoje predominantemente dentro da tendência à antropologia.
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