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Grundbegriffe der aristotelischen Philosophie (Summer semester 1924), ed. M. Michalski, 2002, XIV, 418p.

Os Pressupostos da Finalidade Filológica: Demarcação do Modo como a Filosofia é Tratada

1. A preleção não possui finalidade filosófica alguma, ocupando-se antes da compreensão de conceitos fundamentais em sua conceitualidade (Begrifflichkeit), sendo sua finalidade filológica na medida em que pretende trazer novamente à prática a leitura dos filósofos, propósito que traz consigo, naturalmente, uma série de pressupostos, ainda que seja questionável se de fato se pode adentrar pressupostos dessa espécie numa preleção.

2. O primeiro pressuposto consiste em que precisamente Aristóteles tenha algo a dizer, razão pela qual é justamente Aristóteles, e não Platão, Kant ou Hegel, o escolhido, cabendo a ele uma posição distintiva não apenas no interior da filosofia grega, mas no conjunto da filosofia ocidental.

3. O segundo pressuposto consiste em que não se esteja ainda tão avançado a ponto de não haver algo a respeito do qual se deva admitir estar equivocado em algum aspecto.

4. O terceiro pressuposto consiste em que a conceitualidade constitua a substância de toda pesquisa científica, não sendo questão de acuidade intelectual, mas antes que aquele que escolheu a ciência assumiu a responsabilidade pelo conceito, responsabilidade essa hoje ausente.

5. O quarto pressuposto consiste em que a ciência não seja ocupação, negócio ou diversão, mas antes a possibilidade da existência (Dasein) dos seres humanos, algo em que não se recai por acaso, mas que traz em si mesma pressupostos determinados que todo aquele que seriamente se move no círculo da pesquisa científica há de trazer consigo.

6. O quinto pressuposto consiste em que a vida humana tenha em si mesma a possibilidade de apoiar-se somente em si própria, de prescindir de fé, de religião, e assim por diante.

7. O sexto pressuposto, de caráter metodológico, consiste na fé na história, no sentido de pressupor que a história e o passado histórico têm a possibilidade, desde que se lhe abra caminho, de dar um impulso ao presente ou, melhor dizendo, ao futuro.

8. Os seis pressupostos revelam-se muito exigentes ainda que se persiga apenas a filologia, encontrando-se a filosofia hoje em melhor situação na medida em que opera fora do pressuposto fundamental de que tudo está tal como deveria estar, cabendo, para a demarcação do modo e da maneira como aqui se trata a filosofia, convocar o próprio Aristóteles como testemunha, tratando-se aqui de fato a filosofia, mas com a finalidade de implantar o instinto para o que é evidente por si mesmo e o instinto para o que é antigo.

9. Aristóteles distingue, em Metafísica, Livro IV, Capítulo 2, entre dialektiké, sophistiké e filosofia.

  • Sophistiké e dialektiké ocupam-se dos mesmos temas de que se ocupa a filosofia, distinguindo-se esta de ambas pelo modo de abordar tais temas, isto é, pelo modo de tratar o mesmo objeto.
  • A filosofia difere da dialektiké no modo da possibilidade a que esta faz jus, pois a dialektiké faz apenas uma tentativa de averiguar aquilo que poderia estar significado pelos logoi, um diaporeuesthai tous logous, como diz Platão, um percorrer daquilo que porventura poderia estar significado, sendo esse o sentido da dialética grega.
  • A dynamis da dialektiké é, em contraste com a filosofia, limitada, ainda que a dialektiké esteja voltada para a coisa mesma, para a exposição daquilo que é significado, ao passo que a sophistiké, falando embora do mesmo assunto, apenas parece ser filosofia, sem o ser.
  • A dialektiké é de fato séria, mas apenas com a seriedade de uma investigação tentativa daquilo que em última instância poderia estar significado, sendo nesse sentido que aqui se trata a filosofia, no modo de uma investigação daquilo que em última instância poderia estar significado, sendo decisivo alcançar uma compreensão preliminar daquilo que é significado por filosofia.
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